Rio Brilhante/MS - 24 de abril de 2026

Rio Brilhante/MS - 24 de julho de 2026

Queda de avião com vítimas “de MS” em SP foi provocada por 19 fatores

Queda de avião da Voepass em SP foi causada por sequência de falhas, aponta Cenipa

O relatório final do Cenipa concluiu que a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, foi resultado da combinação de 19 fatores, envolvendo falhas de manutenção, decisões da tripulação, condições meteorológicas, problemas na cultura de segurança da empresa e deficiências na fiscalização da Anac.

Entre as principais causas apontadas está a repetição de falhas no sistema de degelo da aeronave. O equipamento apresentou panes em três voos consecutivos antes do acidente, mas os problemas não foram registrados formalmente no diário de bordo, impedindo a adoção de medidas corretivas pela manutenção.

A investigação também identificou que o avião foi liberado para operar com 10 itens restritos pela Lista Mínima de Equipamentos (MEL), incluindo um limpador de para-brisa inoperante, situação incompatível com as condições meteorológicas previstas para a rota. O relatório aponta ainda falhas no controle de manutenção, liberações técnicas irregulares, falta de supervisão e reaproveitamento de peças entre aeronaves.

Durante o voo, a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo, mas a tripulação manteve a operação no nível de voo 170, mesmo diante da previsão meteorológica desfavorável. O Cenipa concluiu que houve dificuldades na avaliação dos riscos, além de decisões que contribuíram para a perda de desempenho da aeronave.

Os investigadores também apontaram que a repetição frequente de alertas em voos anteriores levou a uma complacência operacional, reduzindo a atenção dos pilotos diante dos avisos emitidos pelo sistema. No voo do acidente, foram registrados oito alertas de baixa velocidade, além de avisos de perda de desempenho e de aumento imediato da velocidade. Os pilotos tiveram apenas 13 segundos entre o alerta mais crítico e a perda de controle da aeronave.

Outro fator destacado foi a cultura organizacional da Voepass, marcada por informalidade e baixa adesão às práticas de segurança operacional. O relatório também atribui responsabilidade à Anac, por não corrigir irregularidades identificadas em auditorias anteriores na companhia.

Dos 19 fatores analisados, 16 foram classificados como contribuintes para o acidente e três permaneceram indeterminados, incluindo aspectos relacionados ao projeto da aeronave e ao estado emocional dos pilotos. O Cenipa ressalta que o relatório tem caráter preventivo e não estabelece responsabilidades civis ou criminais. Paralelamente, a Polícia Federal mantém investigação sobre possíveis irregularidades na operação e manutenção da aeronave.

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