Rio Brilhante/MS - 24 de abril de 2026

Rio Brilhante/MS - 9 de agosto de 2026

PREFEITO EM MS É ALVO DE OPERAÇÃO DA GECOC

MS Brasil dispara contratos após operação e vira alvo de nova investigação em Três Lagoas

Empresa investigada por suspeitas de corrupção e desvio milionário viu os valores pagos pela Prefeitura de Três Lagoas saltarem de R$ 3,18 milhões, em 2022, para R$ 18,2 milhões, em 2024 — uma alta de 471%.

A construtora MS Brasil, que entrou no radar do GECOC durante a Operação Cascalho de Areia, em 2023, por suspeitas envolvendo contratos milionários em Campo Grande, continuou ampliando seus negócios com a Prefeitura de Três Lagoas.

Os pagamentos à empresa, segundo o Portal da Transparência, passaram de R$ 3,18 milhões em 2022 para R$ 5,49 milhões em 2023 e R$ 18,2 milhões em 2024. O salto ocorreu justamente após a empresa ter sido alvo da operação que investigava supostos crimes de corrupção, peculato e desvio de recursos públicos.

A relação com o município começou em 2018, durante a gestão de Ângelo Guerreiro (PSDB), quando a empresa recebeu R$ 1,7 milhão. Desde então, os valores cresceram ano após ano, até atingir patamar superior a R$ 18 milhões anuais.

A troca de gestão não interrompeu os contratos. Empossado em 2025, o prefeito Cassiano Maia (PSDB) manteve os pagamentos à empresa, que recebeu R$ 18,49 milhões no ano passado. Em 2026, já foram pagos R$ 14,23 milhões, enquanto os empenhos chegam a R$ 18,88 milhões.

Nova operação aumenta pressão

A situação ganhou novo capítulo em 6 de agosto, quando a MS Brasil voltou a ser alvo do GECOC e do Gaeco em uma investigação que apura suposto desvio de aproximadamente R$ 100 milhões em contratos com o município de Três Lagoas.

Segundo as investigações mencionadas na reportagem, Edcarlos Jesus Silva, que aparece formalmente como responsável pela empresa, é apontado como possível “laranja” de André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola. O secretário municipal de Infraestrutura, Osmar Dias Pereira, também foi alvo da operação.

Outro ponto que chama atenção é a mudança de razão social da empresa após a Operação Cascalho de Areia. Embora tenha mantido o mesmo CNPJ, a companhia passou de MS Brasil Comércio e Serviços Eireli para MS Brasil Locação e Serviço Ltda., em 2025.

No total, as operações Cascalho de Areia e Máquinas de Areia cumpriram 19 mandados de busca e apreensão.

Enquanto os contratos milionários continuam avançando, permanecem as perguntas que agora ganham peso político: por que uma empresa já investigada passou a receber valores tão maiores do município? Quem autorizou a expansão dos contratos? E por que a relação continuou mesmo depois das operações policiais?

Procurado, o prefeito Cassiano Maia não havia se manifestado até o momento da publicação.

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