Rio Brilhante/MS - 24 de abril de 2026

Rio Brilhante/MS - 1 de julho de 2026

Superlotação em presídios de MS supera média nacional, aponta CNJ

Mato Grosso do Sul tem um dos cenários mais críticos de superlotação prisional do país. Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgado nesta terça-feira (30), mostra que 58% das unidades prisionais do Estado operavam, em outubro de 2025, com ocupação acima de 137,5% da capacidade — índice considerado crítico. A média nacional é de 28%.

O diagnóstico analisou 33 presídios sul-mato-grossenses, localizados em municípios como Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá, Coxim, Dois Irmãos do Buriti, Rio Brilhante e Aquidauana. Das unidades avaliadas, 19 apresentaram lotação crítica. Apenas um presídio, em Corumbá, registrou ocupação inferior a 50% da capacidade.

Os dados integram o primeiro Diagnóstico Nacional sobre a Habitabilidade do Sistema Prisional, elaborado a partir de inspeções realizadas por 996 magistrados em 1.738 estabelecimentos penais de todo o país. As visitas fazem parte das atribuições dos juízes da execução penal, mas foram reunidas pela primeira vez em um levantamento nacional padronizado.

Além da superlotação, o estudo revela deficiências estruturais nas prisões brasileiras. Mais de 80% das unidades não possuem alvará de funcionamento, cerca de 40% operam sem laudo do Corpo de Bombeiros e 20% não contam com extintores de incêndio. Apenas um terço oferece acesso pleno à água potável e menos de 11% mantêm controle sanitário regular da alimentação.

Em Mato Grosso do Sul, outro indicador preocupa: 38% das celas não têm ventilação adequada, percentual superior à média nacional de 28%.

Coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ, o juiz Luís Lanfredi afirmou que o levantamento oferece um retrato inédito das condições das prisões brasileiras e alertou que a precariedade do sistema favorece o fortalecimento de organizações criminosas. Segundo ele, a melhoria das condições nas unidades prisionais é parte fundamental da política de segurança pública.

O estudo integra o plano Pena Justa, desenvolvido após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer a existência de um estado de coisas inconstitucional no sistema prisional brasileiro.

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